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Cuidados a ter antes da utilização dos produtos fitofarmacêuticos

Antes de aplicar um produto fitofarmacêutico verifique se certas condições meteorológicas estão reunidas. Falamos de condições favoráveis à eficácia dos produtos mas também à segurança do aplicador e do ambiente tais como:
 

  • Velocidade do vento;
  • Humidade;
  • Temperatura;
  • Precipitação.

Velocidade do vento


A velocidade do vento deve ser monitorizada. O vento em excesso:

  • Diminui a qualidade de repartição das gotas de pulverização e consequentemente a capacidade de absorção pelas plantas;
  • Aumenta o arrastamento dos produtos fitofarmacêuticos podendo atingir cursos de água.

Deverá escolher horas do dia em que a velocidade do vento é, de um modo geral, mais reduzida.

Para avaliar a velocidade do vento poderá recorrer às recomendações do Quadro 1.

 

Quadro 1 – Velocidade do vento, sua caracterização e recomendações sobre a pulverização de produtos fitofarmacêuticos.

Velocidade do vento
(km/h)
Caracterização Sinais visíveis Recomendação
< 1,8 Calmo O fumo sobe verticalmente Evitar pulverizar nas alturas mais quentes do dia
1,8 – 3,6 Leve corrente de ar O fumo desvia-se da vertical Evitar pulverizar nas alturas mais quentes do dia
3,6 – 7,2 Brisa Leve movimento das folhas e a brisa sente-se na face Ideal para a pulverização
7,2 – 10,8 Brisa forte Folhas e raminhos em movimentos constantes Evitar a aplicação de herbicidas
> 10,8 Vento moderado O vento levanta poeiras e papéis do chão Não aconselhável pulverizar

(fonte: Guia para a aplicação de produtos fitofarmacêuticos – Técnicas e material de aplicação)

Podemos atenuar os riscos resultantes do vento jogando com o tamanho das gotas: adaptando o tipo de bicos, o ângulo do jacto, a dimensão do orifício dos bicos, a pressão.

Em culturas baixas podemos também jogar com a altura da barra de pulverização. É preciso no entanto não esquecer outros riscos que poderão ocorrer: a formação de gotas muito grandes pode levar a um fenómeno de arrastamento do produto; uma barra não deve ser colocada demasiado baixa se não for estável (risco de má distribuição do produto).

Temperatura e humidade


Temperaturas elevadas e humidade relativa baixa (<60%) favorecem a perca de eficácia dos produtos por evaporação das gotas mais finas. Deste modo se a humidade do ar for elevada, as gotas de pulverização atingem mais facilmente o seu alvo. Evitando a evaporação e posterior deposição em outros locais.

A aplicação de produtos fitofarmacêuticos não deve ser efectuada nas horas mais quentes do dia.

Precipitação


A ocorrência de precipitação significativa (> 10mm) após o tratamento é um dos principais factores de transferência dos produtos fitofarmacêuticos para a água (risco de lexiviação – movimento através do solo- e arrastamento superficial).

Esta transferência reduz a eficácia dos produtos e pode contribuir para a contaminação das águas.

Torna-se assim fundamental conhecer a previsão do estado do tempo antes de efectuar a aplicação dos produtos fitofarmacêuticos.

Na actualidade, existem vários locais na Internet onde poderá encontrar informação sobre a previsão do estado do tempo, entre eles o local da Syngenta.

Se a chuva obrigar a uma nova aplicação, esta multiplicará o risco de contaminação do meio ambiente e representa um custo suplementar.

 

Avalie o local a tratar


Evite aplicar produtos fitofarmacêuticos demasiado próximo de cursos de água, estes são pontos sensíveis à contaminação da água com produtos fitofarmacêuticos. Sendo as zonas agrícolas áreas em que os cursos de água ocorrem em grande número deveremos proceder com cuidado para não contribuirmos para uma contaminação mais alargada do ambiente.

Não devemos esquecer que estes pontos de água podem ser uma fonte de água potável (para o Homem e animais) e ainda que a água é um recurso limitado essencial à vida.

Para evitar o risco de contaminação das águas deverá identificar bem as parcelas a tratar no que respeita a:

  • Distância da parcela à água,
  • Superfície,
  • Tipo de solo,
  • Teor em matéria orgânica,
  • Declive, etc.

 

Se após esta apreciação verificou que a sua parcela apresenta um declive que a torna sensível ao arrastamento de solo pela chuva ou a sua parcela está situada perto de cursos de água poderá tomar algumas medidas que minimizem o risco de contaminação das águas:

  • Em parcelas sensíveis ao arrastamento de solo pela chuva, deverá ponderar a possibilidade de instalação de coberto vegetal nas entrelinhas, para evitar a erosão causada pela chuva e promover a infiltração da água no solo e a degradação dos produtos fitofarmacêuticos.

Ou poderá instalar:

  • Uma bordadura de coberto vegetal
    (5 a 10m consoante o caso) ou
  • Uma cortina de plantas

de forma a evitar o arrastamento do solo para as águas e a promover a infiltração da água no solo e a degradação dos produtos fitofarmacêuticos.

 

Preparação do solo


Prepare o solo e semeie de forma a evitar o arrastamento do solo pela chuva e o consequente arrastamento dos produtos fitofarmacêuticos aplicados para as ribeiras, charcas, poços, etc.

Escolha e utilize os produtos fitofarmacêuticos correctamente


Conheça bem as características dos produtos que vai utilizar, leia atentamente o rótulo, não utilize os produtos para finalidades não autorizadas e não ultrapasse a dose autorizada (quantidade máxima autorizada por hectare).

Usar uma dose demasiado baixa é tão mau como usar uma dose demasiado alta. Representa uma perca de dinheiro e uma introdução desnecessária de químicos no ambiente

Verifique se nas precauções toxicológicas, ecotoxicológicas e ambientais, constantes no rótulo, existe alguma indicação sobre os cuidados a ter para protecção das águas subterrâneas ou de superfície como por exemplo:

  • Para protecção dos organismos aquáticos, respeitar uma zona não pulverizada de 10 metros em relação às águas de superfície
  • Para protecção das águas subterrâneas, não aplicar este produto em solos arenosos e/ou pobres em matéria orgânica.

 


Respeite estas indicações.

Pequenas alterações no nosso comportamento podem fazer uma grande diferença na quantidade total de produto fitofarmacêutico que pode atingir as águas, mesmo que só utilizemos o pulverizador uma ou duas vezes por ano.