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Syngenta convida especialista mundial na cultura do milho

06.04.2015

A Syngenta organizou, a 5 de Março, umas Jornadas Técnicas sobre “Maneio e Otimização da Cultura do Milho”, em parceria com a Cooperativa Agrícola de Vila do Conde. Albert Porte-Laborde, um dos principais especialistas mundiais na cultura do milho, foi o orador convidado para falar dos avanços tecnológicos na gestão da cultura.

Durante as Jornadas foram discutidos aspetos agronómicos da cultura do milho silagem, tais como as principais pragas, doenças e carências que afetam a cultura, sendo aconselhadas estratégias que garantem a rentabilidade da cultura.

Albert Porte-Laborde, consultor e formador na área do milho, com uma experiência de 45 anos no aconselhamento técnico aos produtores de milho em França, deixou conselhos valiosos aos agricultores.

A qualidade da intervenção foi reconhecida por todos os presentes, tal como descreve Vitor Faria, responsável técnico da Cooperativa Agrícola de Vila do Conde: «foram ensinamentos muito úteis, expostos de forma profissional, muito clara e apelativa. Um dos nossos associados chegou mesmo a comentar que foi uma das melhores apresentações sobre a cultura do milho a que assistiu nos últimos 30 anos». Vitor Faria deixa um desafio: «gostaríamos de ter o Sr. Porte-Laborde novamente em Portugal para uma segunda apresentação, desta vez no campo, onde possa demonstrar ao vivo os seus conhecimentos».

Albert Porte-Laborde concedeu uma pequena entrevista à Syngenta, que resume alguns dos ensinamentos partilhados nas Jornadas:

Syngenta: Tendo em conta a sua vasta experiência no setor do milho, quais os pontos-chave na gestão da cultura que os agricultores portugueses devem melhorar para obter maior rendimento?

Albert Porte-Laborde: Em primeiro lugar é preciso não esquecer que quando o trator e o semeador saem do terreno o potencial máximo de rendimento está definido, a partir daqui só poderemos perdê-lo! …porque as condições climatéricas são desfavoráveis, demasiado frio, demasiada chuva, dias muito quentes; porque a cultura é atacada por pragas; porque a irrigação ou a fertilização se atrasaram alguns dias; porque as infestantes foram controladas tardiamente ou porque a dose aplicada não foi a mais correta.

Em minha opinião, a qualidade da sementeira é essencial, a manutenção de uma máxima homogeneidade planta a planta é a garantia de um bom rendimento da cultura.

A qualidade da semente é crucial para o êxito da cultura. Qual a sua opinião sobre a tecnologia ARTESIAN desenvolvida pela Syngenta?

Há diversos métodos para propor ao agricultor um híbrido que se adapte a situações de stress hídrico: o primeiro consiste em explorar o «rumor», a imagem, o que dizem os agricultores deste ou daquele híbrido: «ainda que a rega não tenha sido perfeita, o híbrido salvou a colheita». O problema é que esta constatação demora (2 a 3 campanhas) e, entretanto, a investigação genética permitiu desenvolver novas variedades que relegam estes híbridos tolerantes para segundo plano. O segundo método, infelizmente muitas vezes usado, consiste em reposicionar comercialmente um híbrido que tecnicamente não foi avaliado quanto à sua capacidade para tirar partido da água disponível. O terceiro método, utilizado pela Syngenta, consiste em lançar programas de investigação intensivos com vista a melhorar a performance dos híbridos especificamente dirigidos a este tipo de solos. São programas caros e demorados, e os primeiros híbridos daí resultantes, que respondem a limitações de água, são designados de ARTESIAN. É nos híbridos que incorporam esta tecnologia que os agricultores encontrarão de futuro a melhor eficiência hídrica em situações de baixa disponibilidade de água.

«Com uma sementeira de qualidade todas plantas nascem no mesmo dia e todos os mesocótilos são de comprimento idêntico». Como atingir este objetivo?

Não é uma meta utópica!! Felizmente muito agricultores conseguem lá chegar. Este objetivo põe em evidência todo o cuidado necessário na preparação da cama de sementeira e na própria sementeira. «A sementeira deve ser lenta!» As sementeiras rápidas são mais irregulares no que respeita à distribuição das sementes e heterogéneas em profundidade…qualquer que seja o semeador utilizado. 90.000 sementes/hectare, a 6 km/h, com uma distância de 75 cm na entrelinha correspondem a cerca de 12 grãos por segundo em cada linha do semeador, permitindo uma sementeira perfeita. Acima desta velocidade de trabalho é necessário estar bem mais atento à regulação, à qualidade da preparação do solo, à proteção contra insetos e infestantes.

Por isso, a aplicação de um adubo starter permite aumentar a eficácia das sementeiras mais precoces e uma boa desinfeção do solo garante a homogeneidade e arranque das plantas.

Combater as infestantes é preservar o rendimento. Qual é a estratégia ideal na aplicação de herbicidas à cultura do milho?

Está provado que os tratamentos de pré-emergência contra as infestantes permitem obter melhores rendimentos. «Destruí-las antes que se tornem visíveis» é uma regra de ouro, por duas razões: primeiro porque as infestantes mesmo muito jovens tornam-se rapidamente concorrentes do milho na busca por água e azoto, e mais tarde, a partir das 5-6 folhas, começam também a competir pela luz solar. A segunda razão, é que, por vezes, a planta de milho tem dificuldade em degradar os tratamentos à base de sulfonilureias usados no combate às gramíneas, sobretudo com temperaturas acima dos 25ºC, tempo seco, amplitude térmica dia-noite superior a 20ºC, e sobretudo se a dose de herbicida for elevada e tiver sido aplicada numa fase avançada de desenvolvimento do milho (mais de 8 folhas).

O Sr. Porte-Laborde tem participado em ensaios com drones para realização de fotografia aérea com infravermelhos na cultura do milho. Como funciona esta tecnologia e para que serve?

O uso de drones vai tornar-se usual no acompanhamento da cultura do milho, incidindo em diversas áreas: controlo da densidade de sementeira desde as 4-5 folhas; gestão do controlo de infestantes, sejam elas gramíneas ou dicotiledóneas; avaliação do estado fitossanitário da planta às 10 folhas; gestão e acompanhamento da rega; gestão das doses de azoto; determinação da data ideal da colheita do milho silagem face à maturidade fisiológica da cultura. Todos estas variáveis poderão ser perfeitamente medidas através de imagem aérea, garantindo uma precisão bem mais fina do que a do olho bem treinado do melhor dos técnicos. Por enquanto, estamos a estudar estas áreas de aplicação, mas creio que será possível utilizar a tecnologia muito em breve (fim de 2015).