You are here

Share page with AddThis

10º Fórum para o Futuro da Agricultura: é tempo de agir!

Corporativo
10.04.2017

A 10ª edição do Fórum para o Futuro da Agricultura (FFA), realizado em Bruxelas a 28 de Março, apelou à comunidade internacional para que passe à ação na implementação dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável definidos pela ONU até 2030, onde Agricultura e a proteção do Ambiente são temas centrais.

Os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da ONU e os Acordos do Clima de Paris COP21 são compromissos internacionais orientadores da Sociedade rumo à sustentabilidade socioeconómica mundial, no entanto, precisamos de passar das palavras à ação.

O FFA, onde participaram mais de 1700 pessoas, apelou a todos os intervenientes – empresas, políticos, agricultores e sociedade civil - para que se foquem nos aspetos práticos da implementação, comprometendo-se a cooperar e colaborar, o que resultará em vastos benefícios para toda a cadeia de abastecimento alimentar, do campo à mesa do consumidor.

À medida que a incerteza da produção e do abastecimento alimentar aumenta, devido ao impacto das alterações climáticas, aos preços baixos pagos aos agricultores e ao grave declínio da biodiversidade, a Agricultura continua a desempenhar um papel central na Sociedade e deve abrir-se a mudanças estruturais para atingir aqueles compromissos internacionais.

«Salvemos a Terra fazendo uma aliança com ela»

O FFA 2017 foi inaugurado com um vídeo de Sua Santidade o Papa Francisco que sublinhou «a relação estreita entre Agricultura, desenvolvimento e as necessidades atuais e futuras da humanidade (…) testemunhamos baixos níveis de emprego e má nutrição que afetam milhões de seres humanos que estão excluídos dos processos produtivos. O futuro da agricultura reside num novo modelo de desenvolvimento e consumo, nos pequenos agricultores, na proteção dos ecossistemas locais e numa maior responsabilidade», afirmou o Papa, deixando uma mensagem final: «salvemos a Terra fazendo uma aliança com ela».

Uma das intervenções mais aguardadas do FFA foi a de Kofi Annan, que falou em nome da Fundação Kofi Annan, sublinhando que «não há futuro sem Ambiente» e que «face ao aumento da população mundial não temos outra solução senão produzir alimentos de forma sustentável». O ex-secretário-geral da ONU apontou cinco áreas prioritárias na Agricultura: aumentar o investimento para obter maior produtividade nos países em desenvolvimento; acesso a melhores sementes e tecnologia por parte dos pequenos agricultores; políticas públicas centradas na nutrição inteligente; sistemas alimentares que produzam mais com menos recursos e agricultura inteligente perante os efeitos das alterações climáticas.

Hon Nathan Guy, ministro do Setor Primário na Nova Zelândia, partilhou o bem-sucedido modelo agrícola adotado neste país, que apesar de ter apenas 4,5 milhões de habitantes produz alimentos para 40 milhões de pessoas. O modelo agrícola neozelandês é sustentado pelo investimento em inovação e transferência de conhecimento, sem subsídios diretos aos agricultores. Um dos seus pilares é o consórcio Primary Growth Partnership, que junta o Governo e cerca de 50 empresas privadas em programas de inovação de longo prazo, com vista ao crescimento e sustentabilidade do setor primário do país. Até 2025 estima-se que este programa contribua com 6,4 mil milhões de dólares para o PIB da Nova Zelândia.

Futuro da PAC

O Comissário Europeu da Agricultura, Phil Hogan, afirmou que a Política Agrícola Comum (PAC) está a contribuir para os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da ONU, «mas pode fazer mais». Neste sentido enunciou aquelas que serão as grandes linhas da PAC pós-2020: investir mais em I&D e na transferência de conhecimento; fazer bom uso das novas tecnologias com vista a produzir mais alimentos com menos recursos; o greening é um caminho para continuar e a bioeconomia deve ser um novo driver para a agricultura inteligente e uma nova fonte de empregos no meio rural. «Temos que pedir aos agricultores para fazer mais pelo Ambiente, mas devem ser pagos por esse serviço à Sociedade», concluiu Phil Hogan.

Ainda a propósito da PAC, Michael Salm-Salm, agricultor e representante alemão da ELO, disse que «os agricultores querem fazer mais pelos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da ONU, mas precisam de um contrato de longo prazo para cumprir políticas de sustentabilidade, que também elas são de longo prazo».

Por seu turno, Allan Buckwell, responsável pelo estudo da RISE sobre o futuro da PAC, sugere um modelo de transição dos atuais apoios diretos aos agricultores para um novo esquema de apoios, em que os Estados-membros devem ter mais liberdade para definir a forma como os seus agricultores atingem as metas a que a PAC se propõe.

Alguns exemplos práticos de como implementar na prática os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da ONU no âmbito agrícola foram apresentados. O jovem agricultor Jacob van der Born partilhou o exemplo da sua exploração na Holanda, onde aplica a Agricultura de Precisão desde 2006. «Estou a fazer algo de novo, quero que a minha exploração seja um centro experimental», disse este agricultor que também está a fazer negócio com a venda da informação recolhida através de deteção remota com drones, scanner de solos, sensores aplicados a máquinas agrícolas, entre outras tecnologias.

Outro exemplo foi apresentado por Leontino Balbo Junior, vice-presidente da Native, uma empresa brasileira produtora de cana-de-açúcar, pioneira na colheita mecânica desta cultura e na implementação do sistema ERA-Ecossistema de Revitalização da Agricultura. Adotando técnicas de Agricultura de Conservação – sementeira direta, rotações culturais, aplicação dos restos da cultura no solo – e estabelecendo corredores ecológicos, esta exploração conseguiu recuperar os solos em menos de 10 anos, com 24% de aumento da produtividade e 35% de redução das emissões de gases com efeito de estufa.

O tema de Economia Circular foi abordado por Jyrki Katainen, vice-presidente da Comissão Europeia para o Emprego, Crescimento, Investimento e Competitividade, que mencionou a revisão em curso da legislação sobre fertilizantes na UE, dando também o exemplo das biorefinarias como um caso bem-sucedido da Economia Circular na UE.

Por fim, John Parr, presidente da Syngenta na área de proteção das culturas, referiu que a Syngenta investe 10% das suas receitas globais em I&D, embora cada vez menos na Europa, justificando que «atualmente a Europa não é o melhor ambiente para lançar tecnologia de proteção das plantas».

O Fórum para o Futuro da Agricultura (FFA) é uma iniciativa da ELO (European Landowners’ Organization) e da Syngenta, onde anualmente se reúnem entidades de vários quadrantes da Sociedade para discutir o rumo que a Agricultura deve seguir para responder aos desafios da segurança alimentar e ambiental.

----

A Syngenta é uma das empresas líderes no seu ramo de atividade. O grupo emprega mais de 27.000 pessoas em mais de 90 países, com um único objetivo comum: trazer para a vida o potencial das plantas. Através da excelência dos nossos cientistas, da nossa presença a nível mundial e do empenho de todos os nossos colaboradores em responder às necessidades dos nossos clientes, ajudamos a maximizar a produtividade e o rendimento das culturas, a proteger o ambiente e a melhorar a saúde e a qualidade de vida. Para mais informações sobre a Syngenta, consulte o site www.syngenta.com.