Projeto TomAC apresenta resultados da produção de tomate de indústria em Agricultura Regenerativa
A aplicação dos princípios da Agricultura de Conservação na produção de tomate de indústria pode contribuir para a melhoria da sustentabilidade da cultura, através da retenção de azoto no solo pela cultura de cobertura, da conservação do solo através da mobilização apenas na linha para plantação do tomate e do aumento da produtividade de tomate pela rotação de culturas.
As conclusões são do projeto ‘TomAC- Produção Sustentável de Tomate para Indústria através da Aplicação dos Princípios da Agricultura de Conservação’, uma parceria entre o AG-INNOV (Centro de Excelência do Grupo Sugal), a Sogepoc, a Syngenta, a APOSOLO e o MED-Universidade de Évora. O projeto é financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia e pela Syngenta.
Ricardo Vieira Santos, investigador do MED-UÉvora, apresentou as conclusões e os desafios técnicos desta nova forma de produzir tomate durante o dia de campo ‘As culturas de cobertura, a biodiversidade e a vida do solo’, realizado a 11 de abril, na Estação Experimental António Teixeira, em Coruche, pelo Centro de Competências InovMilho, a que assistiram várias centenas de participantes.
O dia de campo decorreu um dia depois de o Conselho Europeu ter chegado a acordo provisório com o Parlamento Europeu sobre uma Diretiva que estabelece um quadro para a monitorização do solo, visando alcançar solos saudáveis na UE até 2050.
O ensaio do TomAC decorreu numa parcela de tomate de indústria de 12 hectares, na Lezíria de Vila Franca de Xira, nas campanhas 2021/2022 e 2023/24, comparando 3 sistemas de produção: Convencional (monocultura, mobilização total do solo e solo com vegetação espontânea no Inverno); TomCober (mobilização na linha para plantação do tomate e cultura de cobertura no Inverno); e Rotação (mobilização na linha para plantação do tomate, cultura de cobertura no Inverno e rotação bienal com girassol e milho).
Um dos desafios do ensaio foi adaptar alfaias convencionais para a plantação do tomate. Utilizou-se uma multifresa para mobilizar o solo apenas na linha de plantação, deixando a restante superfície de solo intacta e coberta com resíduos da cultura de cobertura. No plantador de tomate foi adicionado um pequeno disco, que recorta ligeiramente o solo e afasta os resíduos vegetais, permitindo a plantação uniforme do tomate.
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| Detalhe da multifresa adaptada para a mobilização na linha (à esq.) e trabalho de mobilização na linha | |
Para conjugar as diferentes culturas da rotação - tomate, milho e girassol - e de modo a minimizar a perturbação do solo (restrita ao centro do camalhão), o milho foi semeado com uma entrelinha de 1,5 m e em linhas pareadas (a 30 cm).
Outra das conclusões é que a colheita tardia do tomate, após precipitação, leva a um maior risco de compactação do solo, pelo que se demonstrou a vantagem de plantar e colher mais cedo e de semear uma cultura de cobertura no Outono, composta por uma mistura de gramíneas, leguminosas e brássicas. “Esta cultura de cobertura permite aumentar a infiltração e a extração de água do solo e a descompactação por ação das raízes, além de que mantém o solo ativo durante todo o ano, protege-o da erosão e da lixiviação de nutrientes e promove a biodiversidade”, adianta o investigador.
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| Plantação do tomate na linha mobilizada e tomate plantado com mobilização apenas na linha. | |
Após a colheita do tomate, a cultura de cobertura reteve o azoto presente no solo, entre 91 a 127 kg/ha/ano, valores cerca de 5 vezes superiores aos 5-35 kg/ha alcançados pela vegetação espontânea no sistema convencional. “Ao ser assimilado pela cultura de cobertura, o azoto não será lixiviado e, mais tarde, será devolvido ao solo após a decomposição dos resíduos, podendo ser novamente utilizado pela cultura do tomate. Conclui-se que a cultura de cobertura pode reduzir a necessidade de fertilização azotada e os custos inerentes, aumenta o sequestro de carbono e mitiga a poluição dos lençóis freáticos”, afirma Ricardo Vieira Santos.
Em termos da conta de cultura, a aplicação dos princípios da Agricultura de Conservação implicou um aumento dos custos de produção face ao sistema Convencional, devido aos gastos com a cultura de cobertura (semente, instalação e destroçamento de resíduos) e com a mobilização adicional na linha. Contudo, este aumento de custos deverá ser visto como um investimento na melhoria do solo, sendo compensado por uma maior produtividade de tomate como se observou no sistema Rotação.
“O projeto TomAC tem a virtude de nos ajudar a perceber os mecanismos e as potencialidades da Agricultura Regenerativa na cultura do tomate indústria, e assim permitir à Syngenta encontrar as melhores soluções que ajudem os produtores de tomate a ser mais eficientes na resolução dos problemas que têm surgido nas últimas décadas devido à produção do tomate em sistema de monocultura. As nossas soluções de proteção da cultura, o nosso serviço de mapeamento do solo InterraScan, em conjunto com a aplicação de práticas de Agricultura de Conservação, permitirão ao agricultor garantir a sustentabilidade da sua atividade nas três vertentes económica, social e ambiental”, afirma Felisbela Torres de Campos, Responsável de Sustentabilidade da Syngenta em Portugal.